segunda-feira, 7 de maio de 2007

Idéias sobre ciência: O que é tecnologia?

Continuando a linha de idéias do último post, vou comentar um pouco sobre o complemento do tema que eu escolhi para escrever sobre. Depois de definir brevemente o que é ciência, agora é a vez da tecnologia.

Muito mais simples de se definir, tecnologia (do grego téchne+logos, estudo da técnica, no sentido de arte ou ofício) é quase o contrário da ciência, isto é, uma conjunção de meios heterogêneos para a realização de um determinado fim. Por outro lado, tecnologia e ciência são temas igualmente complicados de se discutir. Como exemplos, cito duas questões polêmicas: a importância que devemos dar para a ciência nas decisões de políticas públicas e a avaliação do impacto das novas tecnologias na cultura e no meio ambiente.

Eu não pretendo me enveredar por estas questões por falta de tempo e, obviamente, por falta de domínio do assunto. Sobra então alguns pontos mais leves e felizes do tema como as vantagens que o uso inteligente das tecnologias traz para nossas vidas! Principalmente aquelas que passam despercebidas no dia-a-dia. Posso listar algumas dando uma boa olhada pelo meu quarto, enquanto giro 360º graus na minha cadeira ergonomicamente projetada: o circuito digital da calculadora, o algodão dupla-face do edredon na minha cama, o motor monofásico do ventilador, os tijolinhos de madeira no chão, a tinta não-reflexiva da parede, a bendita caixa-preta que faz com que eu consiga conectar na internet! E é uma caixa-preta no duplo sentido, pois a única certeza que eu tenho é que lá dentro encontra-se um circuito eletrônico e isto não é nada, nada informativo.

E é tanta tecnologia nova aparecendo todo dia que nós acabamos perdendo completamente a noção da importância de certas invenções. Querem um exemplo? Pensem na suas vidas antes e depois da internet. Outro dia, ao ver uma menininha indo à papelaria com um volume da Barsa debaixo do braço, já achei a cena por demais antiquada. Agora pensem no choque que os ingleses tiveram quando Lord Kelvin, em 1855, conseguiu resolver parcialmente o problema da construção dos cabos de telégrafos submarinos que poderiam interligar a Inglaterra e os Estados Unidos. Isto sim é que é revolução na comunicação!

Para o post não ficar maior ainda, apresento uma curiosidade sobre o telégrafo que puxa para mais uma questão interessante. Quando construiram o cabo submarino de acordo com as fórmulas de Lord Kelvin, o “sinal” ficou uma porcaria. Só algum tempo depois, um outro inglês chamado Oliver Heaviside solucionou o problema. Com esta historinha eu quero mostrar como a tecnologia muitas vezes vem antes da ciência do problema. O homem dominou o fogo, mas quantos milênios demoramos para entender os pontos intrínsecos ao fenômeno?

E agora que eu quero postar, a caixinha-preta não me deixa entrar na internet. Vou dar umas pancadas com meu tacape para ver se volta. Nada... É só começar a falar bem que acontecem estas coisas, haha.

5 comentários:

Lívia disse...

Realmente Fred, a vida pós internet e celular mudou muito mesmo. Estava comentando isso com o Samuel outro dia: acho que somos um geração "previlegiada" por termos tido a oportunidade de presenciar a transição entre a era pré e pós meios de comunicação de alta tecnologia. Antes dos 10 anos nunca tinha encostado em um computador. Meus primos com 6 anos já tinham msn e celular com câmera.
É muita coisa pra contar pros netos enquanto eles brincam com seus teletransportadores extra-galácticos.

sam disse...

a tecnologia é uma coisa tão bizarra que eu tive um papo hoje sobre isso com um taxista. ele falava que sonhava o dia em que chegariam por aqui do Japão telefones celulares onde se pode ver a pessoa com a qual se fala.
Eu sinceramente acho inútil. Mas concordo com a Lívia ao falar sobre a dependência da tecnologia. Para alguns, inclusive eu, é impossível ficar desplugado.

fabio disse...

boooring

Lucas disse...

sobre este tópico me dá uma louca vontade de compartilhar algo da teoria psicológica de Lacan... adorei o lance da tecnologia misturado com capitalismo, este tema me agrada bastante. Quem sabe nas próximas postagens... vou pensar.
PS> Quem é Fábio?

Lucas disse...

A propósito: gostei muito dos comentários sobre o seu quarto. Eu nunca tive tempo para olhar direito para o meu.