Primeiramente, não pude postar semana passada por falta de tempo e de internet. Mas estou de volta essa semana, satisfeita em saber que nossos leitores não se limitam mais somente ao nosso grupo de escritores. Sejam bem-vindos e fiquem à vontade...
Inteligência: capacidade mental de resolver problemas novos em um curto espaço de tempo; capacidade de realizar inferências e e abstrações.
Muitos aqui já devem ter feitos testes de inteligência quando crianças, na própria escola ou em situações especiais. Alguns destes testes medem a inteligência G (geral, que não é passível de treino, QI) e outros medem a inteligência fluida (específica, pode ser numérica, verbal, espacial, etc). Neles, a pessoa pode responder corretamente ou de forma errada, não há meio termo.
Mas como fica então a avaliação da inteligência nas crianças, seres incrivelmente criativos? Um grande viés atual é que muitas crianças respondem errado um certo item porque "viajaram" demais, ou seja, utilizaram a criatividade para responder. Mas isso é bom, certo? Errado, pelo menos para os estudiosos da inteligência e para o sistema escolar atual.
A criatividade é uma qualidade que permite o indivíduo criar de forma inovadora e divergente da normalidade, e teoricamente, não é um componente da inteligência. Penso eu que essa é uma qualidade que deveria ser considerada e explorada, principalmente em crianças já que pode servir como um compensador de um possível déficit cognitivo, para a solução de problemas cotidianos, inclusive testes de QI! Mas estes, infelizmente querem um raciocínio modelado e coerente, na maioria das vezes...
Isso não lembra a vocês uma situação bem familiar? Ah, sim! A ESCOLA! O sistema de ensino brasileiro está voltado para a absorção de um conhecimento e produção de novos a partir daquele primeiro. A criança que ousa divergir desse padrão, inovar ou simplesmente não aceitar um conhecimento imposto (características típicas de um indivíduo criativo), passará de ano somente em redação, e olhe lá! A criança entra na pré-escola totalmente aberta a novas experiências e com concepções bastante maleáveis. A escola ajuda a direcionar a cognição para algumas áreas específicas. Tudo bem. Mas o direcionamento inflexível limita a produção criativa, e "produz" universitários e profissionais comodistas, que não conseguem sair das concepções já internalizadas para novos pontos de vista, criações divergentes.
Quem não teve um coleguinha gracista que sempre levava bronca da professora por extrapolar demais? Já que a turma toda ria e se divertia, porque não incluir as piadinhas nas aulas, estudar o "humor", trabalhar a desenvoltura de alguns alunos com a ajuda dos já "soltinhos". Além de valorizar o potencial criativo dos alunos, as aulas seriam muito mais divertidas e com proveito imediato e a longo prazo (diferentemente de um futuro historiador ficar estudando logaritmos por 1 ano).
Eu mesma me lembro de redações feitas por mim na 5ª série que voltavam com um recadinho "Fugiu do tema" e uma nota ruim... Isso me desmotivava completamente! Por que não dá um lápis e um papel pra uma menina de 10 anos e deixar sua imaginação fluir? E essa tal de nota, então? É o pesadelo de qualquer aluno, que tem que cumprir com as expectativas de uma tal instituição para ter aceitação profissional e muitas vezes social e familiar também!
Desculpem a exaltação... Mas vejo meus alunos de 7 anos sem capacidade de realizar um simples desenho sem a minha ajuda quando o tema é livre e me dá uma tristeza...
E você? Se lembra de episódios de criatividade podada durante a infância? O que você sentiu na época? E hoje, lembrando disso, o que você pensa?
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Idéias sobre Psicologia: a inteligência, a criatividade e a escola
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10 comentários:
Eu me lembro bem na minha adolescência quando no auge dos meus 15 anos ou por aí li num jornal um artigo que se chamava "Porque a escola não serva pra (quase) nada". E a felicidade que tive em reproduzir este texto e espalhar sobre a escolha. Foi maravilhoso e libertador. Ainda que tenha gerado algum "tumulto". Ainda tenho o texto se se interessarem.
Outra coisa relacionada é que o No impact man descreve em seu blog como é dificil entreter a sua pequena filha de um ano todas as noites sem o acesso a eletricidade que ele se impôs o que significa: "Sem televisão!". Ele relata ainda os progressos da pequena na escola e como ele nota sua filha mais criativa e extrovertida. Penso que tenha algo a ver com a forma de entretenimento e brincadeiras ativas em troca de um entretenimento passivo, emburrecedor e consumista. Se alguém quiser ler eu já indiquei:
http://noimpactman.typepad.com/blog/
exatamente... O entretenimento com a televisão coloca a criança numa posição passiva na "interação". Nas brincadeiras (principalmente sem eletricidade, que provavelmente exigem mais movimentação e imaginação) ela consegue participar e criar e não somente copiar!
Tá aí uma boa idéia: "sem televisão" pros nossos filhos heheheh... talvez alguns dvds do Cocoricó de vez enquando...
Nada como encher a apostila de desenhos durante Análise de Sistemas Elétricos de Potência!
Ao ler o seu texto lembrei, antes de nada, de um livro que tenho chamado "Educação Para Além do Capital" de István Mészáros. É uma escrita do tipo Zygmunt Bauman, análises sócio-filosóficas do sistema, por aí. Não gosto muito desses livros, a não ser que sejam REALMENTE bons (como o próprio Bauman) e este me chamou bastante a atenção. Ele diz que "o deslocamento do processo de exclusão educacional não se dá mais principalmente na questão do acesso à escola, mas sim dentro dela, por meio das instituições da educação formal." "Educar não é mera transferência de conhecimentos, mas sim conscientização e testemunho de vida".
"García Márquez diz que aos sete anos teve de parar sua educação para ir à escola."
É como se o pilar da educação fosse realmente a transmissão de um molde social apoiado na sustentação da lógica do capital, algo que acaba por prejudicar o processo criativo e construtivo da educação (foda é que ela mesma é que seria a mola impulsionadora para desviar-nos deste processo). A reprodução é tão intensa e alienante que a verborréia representa sempre o discurso vazio, desimplicado, estamos na era do "novo analfabestimo - porque é capaz de explicar, mas não de entender -, típico dos discursos econômicos. Conta-se que um presidente, descontente com a política de seu governo, chamou seu ministro de economia e lhe disse que 'queria entender essa política'. Ao que o ministro disse que 'ia lhe explicar'. O presidente respondeu: 'Não, explicar eu sei, o que eu quero é entender' ".
Bah,
Talvez precisa-se de um progama naum obrigatorio nas escolas q tais caracateristicas sao postas em teste e exaltadas diferentemente do q ocorre.
Pra ser sincero e bem curto, talvez ridiculo: Youth exchange nos recreios.
Anônimo, me interessei um pouco sobre seu ponto de vista mencionado como "ridículo". A idéia de um programa alternativo pode vir a faser sentido. Em contrapartida, não entendo a qualidade do raciocínio, pois você não se deu ao trabalho de explicá-lo. Que tal desenvolver um pouco mais? Eu gostaria de lê-lo.
pode vir a faZer sentido, desculpem (datilografia).
ahh cara o pensamento pode ser ridiculo pq para alguns realmente eh ridiculo e tbm pq pensar nessa ideia eh meio eskisito, mas i dai??Por isso o talvez antes...
fora isso axo q naum precisa de muitas mais explicacoes.So falei sobre isso pq um candidato, akele dos mais deslumbrados, em um dos meeting iniciais disse q tinha adorado o programa e q seria otimo se em toda escola publica tivesse 1. Moral da historia, ele nunca mais voltou.
Desulpem-me pelos desvios gramaticais.
Hoje as pessoas estão voltadas para as realizações, sendo consumidas pelo "avanço rápido de uma sociedade moderna" que cada vez mas lhes exige resultados não sobrando tempo para um aprofundamento ficando apenas na superficialidade. Não me saí da cabeça a seguinte frase (o que vale não é ser e sim parecer).
Sou aluno de Medicina da UFAM - Universidade Federal do Amazonas, e vejo meus amigos se prostituirem estudando para as provas pelo resumo de um cursinho pré-residência e fico pensando que tipo de profissional teremos no futuro que já é praticamente presente. profissionais inteligentes mas sem a criatividade necessária para um profissional da saúde. As consequências nem precisam ser comentadas, pois é o que está acontecendo na realidade dos hospitais.
Também faço parte de um grupo de "pesquisa". Hoje para se tornar um bom pesquisador não precisamos mas pensar, apenas precisamos de um orientador de renome para que nossos projetos sejam aprovadose virarmos no futuro pesquisadores de renome.
Quanto a criação dos nossos filhos... não temos mas tempo né...!!!! (pasmem'... foi feito uma pesquisa sobre o desenho mas violento que já passou. e o escolhido foi Tom e Jerry).
Que Jesus Cristo abençoe todos que lerem esse comentário. Lembre-se toda sabedoria vem de Deus e a sua vontade está expressa na bíblia.
e-mail: csinacio@ufam.edu.br
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