Esta coluna dá uma pausa nas dicas pra causar menos impacto e se volta para uma discussão que se levantou essa semana com os "Dez Mandamentos do bom motorista" publicados pelo Vaticano. Interessante pensar que uma instituição tão antiga e conservadora decidiu atacar outra instituição arraigada em nossa cultura: o automóvel.
Aqueles que me conhecem bem, sabem o que penso sobre automóveis: desde o meu carro todo batido e velho, ao meu amigo que comprou um carrão achando que comprava maturidade, até presentes de aniversário (o Eduardo Galeano, foi quem, primeiro me despertou para o "demônio sobre rodas", o deus automóvel). E nada me frustra mais do que depender do carro para me locomover, ou ainda, me transformar, inadvertidamente, no Senhor Volante.
Mas voltando ao Vaticano, outra entidade italiana decidiu dar seu parecer sobre os automóveis. Dessa forma, a Ferrari rebateu o documento católico, especialmente o item sobre usar carros como "símbolos de status". Segundo a empresa "comprar uma Ferrari não é um pecado". Pessoalmente não classifico as coisas em "pecado", mas tendo a exercer meu lado católico quando me convém. E o posicionamento da Igreja, exceções à parte, foi corajoso, e considero que redime um pouco, apenas um pouco, os vários séculos de "Crescei-vos e multiplicai-vos" que têm assolado o planeta.
Um pouco de contra-religião é sempre bem vinda: o automóvel concede conforto (drive-in, drive-thru), liberdade (freeways??), diversão (carrinhos de brinquedo, fórmula um) e outorga identidade às pessoas (quem aí não usa a carteira de motorista no lugar da carteira de identidade?). Mas como um paradigma econômico não se derruba da noite pro dia, não se preocupe: se você escapar de um acidente de trânsito, as chances são grandes de que não escape à lenta asfixia do planeta.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Idéias sobre Meio Ambiente: A religião do automóvel e a liturgia do divino motor
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4 comentários:
A Igreja atacou os maus motoristas e não o automóvel. O Papa, aliás, deve ter algum apreço pelo papamóvel.
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"E nada me frustra mais do que depender do carro para me locomover, ou ainda, me transformar, inadvertidamente, no Senhor Volante."
Creio que o problema é o Sr. Volante e não o carro. Vale quase o mesmo pensamento para a questão da emissão de gases. A tecnologia para fabricação de motores elétricos já está consolidada, mas o lobby da industria petrolífera é descomunal.
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Pra não dizer depois que eu estou totalmente "do contra" nos comentários, prometo que quando as aulas terminarem, voltarei a ir a pé para a faculdade. Economia de combustível + redução da emissão de gases + exercício físico.
bem vindo ao time. mas cuidado com a patrulha ideológica. (hehehehe)
Muito bom post.. Gostei bastante dos links e principalmente da parte que vc falou sobre o que o automóvel nos proporciona (identidade, diversão, conforto, etc..). Ótima reflexão.
Falando em reflexão, penso que essa questão da supremacia do automóvel está intimamente ligada à questão da dilatação do nosso tempo cronológico. Quantas vezes não quis fazer igual ao Fred e ir a pé pra faculdade? A vontade de dormir até mais tarde devido ao cansaço do dia anterior falou mais alto...
Nossa Lívia, exatamente! O carro às vezes nos permite realizar mais trabalho/compromissos e algumas regalias como dormir 20-30 minutos a mais.Quanto à questão do carro ser símbolo de status, pode ser para uns, o que é terrivelmente fútil, mas para outros não é. Até acho burrice às vezes a pessoa ir lá e comprar uma carro importado e por exemplo não viajar nas férias, por falta de dinheiro...Carro não é para se exibir, mas um meio de locomoção útil. Só isso. Não?
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