domingo, 10 de junho de 2007

Idéias Sobre Saúde: Integralidade - parte 2

Me desculpem pelo último domingo...

Bem, o último post trouxe duas questões muito interessantes e curiosas. A primeira a especialização extrema dos profissionais como uma tendência quase que inevitável da atualidade. A outra o sistema particular X sistema público (SUS). Devo admitir que são pontuações muito complexas e abertas, quero dizer, existem várias respostas e não é algo concreto e fechado. Apenas idéias!

A especialização significa que ao término do ciclo básico ou do conhecimento geral escolha-se uma área de maior afinidade ou preferência para se aproximar daquele conhecimento específico. Devemos lembrar que anteriormente à especialização, o sujeito teve uma formação geral. Por que insisto nisso? Oras o sujeito capaz de atender casos específicos do sistema neurológico, por exemplo, deve saber das outras coisas também, não acham? E se o paciente também for hipertenso e diabético? Por isso hoje a população se mostra muito insatisfeita com a maioria dos profissionais de saúde.

Há pouco tempo atrás existiam aqueles médicos que sabiam de tudo, tratavam tudo, independente da sua especialidade. Os bons médicos! Todos já ouviram falar de algum. Ainda existem algumas espécies, mas está quase em extinção! Por que estou sendo irônica? Porque é claro que precisamos de especialidades, mas também precisamos de integralidade! É preciso que o profissional tenha em mente que aquele sujeito em sua frente não é apenas uma unha encravada ou uma crise convulsiva. È um sujeito com uma história, um percurso, uma bagagem. Daí a famosa anamnese, a coleta da história do paciente. Para se especialista não é preciso detonar com a integralidade. Podem conviver juntos, e devem! Daí é que sai os famosos comentários “Fulano é um ótimo médico”, pois tem uma visão mais abrangente, além da específica necessária naquele momento.

Quanto ao sistema público X privado, é claro que as instituições 100% do SUS devem e cumprem (nem sempre!) com esse princípio doutrinário. O programa saúde da família permite uma visão na prática desse olhar holístico. Já na instituição de saúde particular, o ser também deve ser observado e tratado de forma integral, mas não é um princípio doutrinário, norteador. É como deveria ser, o melhor, no senso comum, mas não algo que deve ser seguido, não é uma “lei”, por assim dizer. Entretanto algumas instituições de saúde particulares atendem pelo SUS e nesse caso deveriam seguir essa norma.

Porque insisto tanto na integralidade? Parece uma coisa banal, mas não é. Sabe, muitas vezes o que falta durante um atendimento, para que uma pessoa debilitada melhore, para que ela se sinta importante, para que ela confie no tratamento e nos profissionais, para que haja um sentido em tudo é esse olhar completo. Lembra da saúde como bem estar bio-psico-social e espiritual? Então... A integralidade é tão importante até para a nossa vida diária. Muitas vezes se concentra demais em uma questão e outras tão importantes quanto ficam a ver navios...

Para finalizar, a integralidade faz parte do tripé dos princípios doutrinários do SUS, juntamente à equidade (diferente de igualdade) e universalidade. Cenas do próximo capítulo.

2 comentários:

Lívia disse...

Não acho isso coisa banal de jeito nenhum! O que chega de paciente vítima de erro médico na clinica em que faço estágio é um absurdo! E a maioria por causa dessa falta de visão holística que vc está falando! Quantas crianças já poderiam ter começado a reabilitação auditiva desde meses de idade para ter um bom desenvolvimento linguistico e não o fizeram porque, quando a mãe suspeitou que o menino não escutava, o médico simplesmente ignorou o fato e disse que era "preocupação de mãe", sem nem mesmo considerar que a criança teve falta de oxigênio na hora do parto (o que pode causar a surdez).
Nem preciso ir tão longe, spenso eu... Dá pra gente notar a importancia da integralidade se pararmos e lembrarmos de nosso histórico de consultas: quem nunca foi num profissional da saúde (médico, psicólogo, oftamologista, etc..)que viajou no diagnóstico ou só te dispensou dizendo que não havia nada de errado quando realmente havia?

sam disse...

quero ver voce falar sobre equidade hehehe. será interessante...